Cidade de Parintins
Parintins é um município brasileiro no interior do Estado do Amazonas, localizando-se no extremo leste do Estado, às margens do Rio Amazonas, próximo ao estado do Pará. Está distante 369 km da capital Manaus, equivalente a uma hora de voo e, de 8 a 12 horas de lanchas ou embarcações regionais.
As primeiras viagens exploratórias da Coroa Portuguesa em Parintins foram registradas somente em 1796. E assim como as demais localidades da Amazônia, a região era habitada por diversas etnias indígenas, entre eles os Tupinambás, que deram origem ao nome da ilha em que se encontra o município, a ilha Tupinambarana. O primeiro nome recebido por Parintins, já na categoria de freguesia, foi Nossa Senhora do Carmo de Tupinambarana, em 1833. O nome da Freguesia só foi alterado em 1880, quando a sede passou a chamar-se “Parintins”, em homenagem aos povos indígenas parintintins, um dos inúmeros que habitavam a região.
O município é conhecido principalmente por sediar uma das maiores manifestações culturais preservadas da América Latina. A vegetação é formada por florestas de várzea e de terra firme, típica da região amazônica, tendo ao seu redor um relevo composto por lagos, ilhotes e uma pequena serra. O principal modal de transporte utilizado entre Parintins e os demais municípios é o hidroviário, além do aeroviário.
O município possui dois distritos: Vila Amazônia e Mocambo.
- Fundação: 15 de outubro de 1796;
- Emancipação: 15 de outubro de 1852;
- Unidade Federativa: Amazonas
- Gentílico: Parintinense;
- Padroeira: Nossa Senhora do Carmo;
- Área: 5.952 km²;
- Distância até a capital Manaus: 369 km
- Elevação: 27 m;
- Fuso Horário: UTC-4
- População: 112.716 (estimativa populacional – IBGE/2016[5]);
- Número de Aeroportos: 1;
- Número de Portos: 1;
- Universidades: UEA, IFAM, UFAM;
O Festival
O Festival Folclórico de Parintins surgiu em 1965. Uma das razões para a criação do festival era a necessidade de organizar e controlar as duas grandes torcidas que se confrontavam nas ruas da ilha de Parintins. Esses confrontos eram marcados pela violência e criar um “marco regulatório” para a brincadeira era uma urgência. Surge então na quadra da Juventude Alegre Católica (JAC), braço da igreja católica na Amazônia, o Festival Folclórico de Parintins. Apesar da intervenção da igreja em uma festa pagã, a rivalidade não cessou e os confrontos aconteciam logo após o resultado de quem era o vencedor de cada edição do evento. Assim, no final da década de 1980, a prefeitura entrou para organizar e por fim as hostilidades. Nesse período, inaugurara no Rio de Janeiro, o sambódromo. Não tardou para que Parintins inaugurasse sua versão para o complexo em formato de arena que até hoje abriga a festa: o bumbódromo. Desde então, a cidade se divide ao meio. Zona Sul: Caprichoso. Zona Norte: Garantido. Como regra, nenhuma das duas torcidas em passeata pode cruzar tais limites.
A Evolução
O Festival Folclórico de Parintins acontece durante três noites. Sempre no último final de semana de junho. Cada boi tem 2h30 para realizar seu espetáculo por noite. A festa é um grande resumo do folclore brasileiro. No evento é possível encontrar lendas, rituais, figuras típicas, tribos e cordões de danças regionais. Tudo ao sabor das toadas, que é a trilha que embala os ensaios e as apresentações durantes as três noites de disputas.
Esse enorme mosaico de expressões se deve à formação social dos povos da Amazônia. Muito dessa contribuição advém do nordeste brasileiro, cujo povo sofrido pela seca, viu no Amazonas e seu fausto período da borracha, o “Eldorado”. O norte brasileiro passou a ser o destino de milhares de nordestinos que consigo trouxeram a cultura dos folguedos juninos. Em Parintins, essas misturas resultaram num exótico universo que une o auto do boi, com Pai Francisco, Mãe Catirina, o Negro Gazumbá, a lenda do Boto, Cobra Grande, Mapinguarí, Matinta Perêra e outras expressões do folclore popular.
Apesar de rica, a festa parintinense começou a ganhar ares de grande espetáculo quando na década de 1970, o artista plástico Jair Mendes foi ao Rio de Janeiro para assistir o carnaval carioca. Do Rio, trouxe a ideia dos carros alegóricos, que em Parintins passaram a se chamar “alegorias”. Assim com o passar dos anos, as alegorias ganharam tamanho, grandeza e forma. Além disso, em meados de 1990, a genialidade parintinense fez com que os módulos e grandes esculturas, passassem a ter movimentos robóticos. Tal evolução levou as grandes escolas de São Paulo e Rio de Janeiro a contratar os talentos de Parintins. É Parintins devolvendo ao Rio, em forma de arte, a troca cultural emprestada na década de 1970.
“…é uma manifestação popular autêntica, pois busca a forma clássica, faz a releitura de uma das mais enraizadas formas de dança dramática popular que é o boi-bumbá, cujas raízes se perdem na aurora da civilização latina. É, também, um grande espetáculo de massas, que não recua diante da tecnologia ou daqueles que dizem que entre o povo nada pode mudar. O melhor de tudo é que o Festival Folclórico de Parintins faz anualmente a revisão orgulhosa do imaginário amazônico, seduzindo a todos os brasileiros e muitos estrangeiros. E se ainda conserva fragmentos de um mundo rústico em aparente processo irreversível de extinção, o que se vê é um espetáculo que clama a plenos pulmões a vontade de um povo. Trata-se de uma ousadia.” Márcio Souza, escritor.
Bumbódromo
É o local onde ocorre o tradicional Festival Folclórico de Parintins. Localizado em Parintins, AM, o Centro Cultural Amazonino Mendes, mais conhecido como Bumbódromo, é um tipo de estádio com o formato de uma cabeça de boi estilizada, com capacidade para aproximadamente 35 mil espectadores divididos em camarotes, frisas, cadeiras especiais e arquibancada geral. Ao lado sul Caprichoso e ao lado norte Garantido. Como via de regra não se pode usar vermelho no setor azul e muito menos azul no setor vermelho, sob pena de entrar em coma involuntário.
Curiosidades
Até 2004 o Festival era realizado nos dias 28, 29 e 30 de junho. Por determinação de uma lei municipal, de 2005 em diante a data mudou para o ultimo final de semana;
O Boi Garantido é o maior vencedor do Festival com 31 títulos. O Caprichoso possui 23 vitórias. Pois no ano de 2000 houve um empate entre ambos os bumbás.
O sorteio da ordem das apresentações é realizado na véspera do Festival;
A primeira edição do Festival a ser transmitido ao vivo foi em 1994, pela TV Amazonas, emissora da Rede Amazônica de Televisão, afiliada da Rede Globo. Atualmente o espetáculo está sendo transmitido pela TV Acrítica, emissora da Rede Calderaro de Comunicação, afiliada da Rede Record;
Um torcedor jamais fala o nome do outro Boi, e usa apenas a palavra “contrário” quando quer se referir ao opositor;
O Bumbódromo é o marco que divide Parintins ao meio, à oeste fica o reduto do Boi Garantido e seus torcedores, à leste o reduto do Boi Caprichoso e seus torcedores, assim como os Currais (quadra de ensaios) e os QGs (quartéis-generais, as oficinas de confecção de alegorias e fantasias dos grupos);
São proibidas vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão quando o “contrário” se apresenta;
A rivalidade entre os torcedores dos bois é tanta que todos os patrocinadores do Festival tomam suas cores em vermelho e azul em toda a ilha;
O Festival conta com patrocinadores de peso, que investem realmente “pesado” para associar sua imagem ao festival. A Coca-cola em 2018, celebra 24 anos de patrocínio;
Programe-se
O Festival Folclórico de Parintins é realizado anualmente, iniciando sempre na última sexta-feira do mês de Junho.
- 2018 – 29, 30 de junho e 01 de julho
- 2019 – 28, 29 e 30 de junho
- 2020 – 26, 27 e 28 de junho
Ingressos
Os ingressos são vendidos com exclusividade pela Amazon Best e também pelo site Ingresso Rápido